sábado, agosto 08, 2009

partir e voltar

porque estava perto de voltar falava mais cantado.
se sentia ainda mais de lá, mais da sua gente, do seu povo
e era tanta alegria, um sol que invadia sua vida, uma vontade de gritar
mas tinha uma pontinha de tristeza, do deixar, do ir embora.
cada canto da cidade cinza era um cartão postal dos seus sentimentos e histórias.
cada rosto ganho para sua coleção de caros era uma pontada de saudade anunciada.
quase prometia a si mesma que um dia abandonava essa coisa toda de partir
um dia, porque agora voltava para tornar a partir.

quarta-feira, julho 29, 2009

terça-feira, julho 28, 2009

obrigada por me salvar, sempre!


mamãe, mamãe, não chore
a vida é assim mesmo
mamãe, mamãe, não chore
eu quero, eu posso, eu quis, eu fiz
mamãe, seja feliz
- caetano veloso -

segunda-feira, julho 27, 2009

um dia você acorda e percebe que fez tudo errado
e não só na última noite como nos últimos anos.
um dia você percebe que todas as suas regras foram quebradas,
e agora desfilam por você num tipo de deboche,
esfregando na sua cara tudo que você deixou de ser.
um dia você percebe que fez tudo o que nunca faria
e deixou de fazer muito do que gostaria.
um dia você acorda e se pergunta que caminhos te levaram até ali,
que concessões fez, o que deixou de exigir, o que deu de mão beijada.
um dia você acorda e percebe que tem um pranto preso na garganta,
e percebe que ele não está ali de agora,
um dia você acorda e percebe que não sabe mais quem é, e isso te deixa bastante infeliz

sexta-feira, julho 24, 2009

notícias da última confusão:
trânsito congestionado nas calçadas lotadas de guarda-chuvas.
recomenda-se sorrir mesmo querendo chorar.

quarta-feira, julho 15, 2009

pobre espantalho, queria ser boneca... e de porcelana ainda.
achava linda a pela da boneca: tão branca, tão lisa, tão diferente da sua castigada pelo sol.
queria ser boneca mas tinha aquele cabelo espigado, sem brilho, sem vida, sem cabelo.
queria ser boneca e vestia roupa de boneca, mas pobre espantalho, faltava uma graça, uma delicadeza, um charme.
era duro de modos, era reto, faltava uma curva, uma carne, uma suavidade de boneca.
pobre espantalho, queria tanto ser boneca que não se via bem como espantalho.
mas tinha sua beleza o espantalho, só não era boneca nem nunca seria.

segunda-feira, julho 13, 2009

você é magra, bonita e esqueci: você é bem sucedida também.
no amor e na vida profissional, que fique claro!
e eu morro de inveja!

segunda-feira, junho 29, 2009

hotel imperial, catete, rio de janeiro, 2005.
lago do machado, páscoa, açaí, ipanema, santa tereza.
primeiro emprego, primeira viagem de trabalho.
morro do macaco, vila izabel, ovo sonho de valsa,
madrugada na rodoviária, cristo, pão de açucar.
getúlio vargas, pizzaria, até mais, até nunca mais.
larissa, tenisson, sérgio, agostinho, sergio, alex, luciana, tito. tudo isso me vem assim de sopetão, só pelo cheiro do sabonete amarelinho da ox, que eu usava nessa época. tudo isso guardado no instante de um cheirinho. p.s.: eu tinha essa cara na época!

terça-feira, junho 23, 2009

arzinho de décimo terceiro andar e dedos entrelaçados na tela, sentiu saudade e fingiu ser da cozinha dele aquela janelinha que brilhava a distância, pensou em tudo que ela sabia de lá, pensou em tudo que ele não sabia de lá, ouviu as vozes que discutiam sobre o figurino da próxima peça, seguiu os olhos e sentiu como sinal os seis semáforos que dançavam verdes juntos.

segunda-feira, junho 22, 2009

'eu sempre te via de longe e estou completamente encantado com você'.
ela que sempre o admirou mas de maneira displicente ficou assustada e feliz e assustada.
sentia as bochechas corarem e se deixava levar pelo novo.
ele prosseguiu...
'já que você está procurando apartamento, a gente podia ir morar junto?!'
ela ficou assustada e riu, afinal parecia piada: ninguém faz um convite desses no primeiro encontro.
ela gostou dele, mesmo com esse jeito afobado.
ela não estava louca por ele mas até disso ela gostava.
se falavam todos os dias, viram filmes, fizeram refeições, partilharam de casualidades.
ela já achava bonitinho o 'fica com Deus' que ele dizia no fim das ligações.
ele dizia também para ela levar o casaco, e ela se agasalhava e se apegava.
a relação crescia sem definição e ela que não tinha certeza dos próprios sentimentos seguia devagar e contente.
dia dos namorados ele aparece com presente.
ela ficou feliz, sentiu calma, carinho e resolveu se permitir.
menos de quinze dias depois ele aparece tenso.
ela percebeu e perguntou.
ele desviou o olhar e disse que depois conversavam.
jantaram e falaram amenidades com aquele suspense no ar.
pediu para levá-la em casa e foram caminhando já que o carro dele continuava no concerto desde o primeiro encontro. mas ela não ligava.
no sofá de sempre ele começou a chorar e e abriu o falador.
'encontrei minha ex-namorada hoje. gosto de você, mas estou confuso, mas não quero te perder.'
ela respirou fundo e sentiu-se amortecida pelos sentimentos recorrentes.
disse que ele não precisava ficar em dúvida e pediu que ele fosse embora. acordou a amiga para contar-lhe a última, chorou boa parte da madrugada, acordou atordoada e deixou a vida seguir.
ele liga todos os dias, mas ela não atende.
consegue entendê-lo, mas se sente cansada de confusões, de ex, de histórias complicadas.
ela só quer amar simples, viver simples, ser simples.