terça-feira, junho 23, 2009

arzinho de décimo terceiro andar e dedos entrelaçados na tela, sentiu saudade e fingiu ser da cozinha dele aquela janelinha que brilhava a distância, pensou em tudo que ela sabia de lá, pensou em tudo que ele não sabia de lá, ouviu as vozes que discutiam sobre o figurino da próxima peça, seguiu os olhos e sentiu como sinal os seis semáforos que dançavam verdes juntos.

segunda-feira, junho 22, 2009

'eu sempre te via de longe e estou completamente encantado com você'.
ela que sempre o admirou mas de maneira displicente ficou assustada e feliz e assustada.
sentia as bochechas corarem e se deixava levar pelo novo.
ele prosseguiu...
'já que você está procurando apartamento, a gente podia ir morar junto?!'
ela ficou assustada e riu, afinal parecia piada: ninguém faz um convite desses no primeiro encontro.
ela gostou dele, mesmo com esse jeito afobado.
ela não estava louca por ele mas até disso ela gostava.
se falavam todos os dias, viram filmes, fizeram refeições, partilharam de casualidades.
ela já achava bonitinho o 'fica com Deus' que ele dizia no fim das ligações.
ele dizia também para ela levar o casaco, e ela se agasalhava e se apegava.
a relação crescia sem definição e ela que não tinha certeza dos próprios sentimentos seguia devagar e contente.
dia dos namorados ele aparece com presente.
ela ficou feliz, sentiu calma, carinho e resolveu se permitir.
menos de quinze dias depois ele aparece tenso.
ela percebeu e perguntou.
ele desviou o olhar e disse que depois conversavam.
jantaram e falaram amenidades com aquele suspense no ar.
pediu para levá-la em casa e foram caminhando já que o carro dele continuava no concerto desde o primeiro encontro. mas ela não ligava.
no sofá de sempre ele começou a chorar e e abriu o falador.
'encontrei minha ex-namorada hoje. gosto de você, mas estou confuso, mas não quero te perder.'
ela respirou fundo e sentiu-se amortecida pelos sentimentos recorrentes.
disse que ele não precisava ficar em dúvida e pediu que ele fosse embora. acordou a amiga para contar-lhe a última, chorou boa parte da madrugada, acordou atordoada e deixou a vida seguir.
ele liga todos os dias, mas ela não atende.
consegue entendê-lo, mas se sente cansada de confusões, de ex, de histórias complicadas.
ela só quer amar simples, viver simples, ser simples.

sexta-feira, junho 19, 2009

o chico buarque faz hoje 65 anos e eu me alegro.
ainda bem que nesse mundo existe um chico buarque com letras que em muitos dias me vou colar uma letra dele aqui.
uma das favoritas


pois é! fica o dito e o redito
por não dito
e é difícil dizer
que foi bonito
e inútil cantar
o que perdi...

taí!
nosso mais-que-perfeito
está desfeito
o que me parecia
tão direito
caiu desse jeito
sem perdão...

então!
disfarçar minha dor
eu não consigo dizer:
somos sempre bons amigos
e muita mentira para mim...

enfim!
hoje na solidão
ainda custo
a entender como o amor
foi tão injusto
prá quem só lhe foi
dedicação
pois é!

segunda-feira, junho 15, 2009

com o arzinho frio batendo nas bochechas salientes
saiu contente para encontrar a amiga gérbera.
atualizou informações, ouviu e se confortou na presença de pessoa tão amável!
'você está mais forte', disse a amiga,
e era assim que ela se sentia.
cinema sozinha é sempre uma boa pedida.
gente nova sempre alegra.
que recitem neruda com espanhol do chile é quase surreal
mas acontece e aquecem o coração e fazem rir com vontade!
são presentes da vida!

sexta-feira, junho 12, 2009

'e se...?' perguntou a íntima desconhecida.
'eu vou correr no parque', respondeu ela sem vacilar.
e assim foi. chegou em casa administrando os sentimentos, calçou os tênis e correu.
brigadeiro, 9 de julho, augusta, rebouças, augusta, 9 de julho, brigadeiro.
a cada gota de suor se sentia mais vazia dele.
repassou alguns pontos da conversa, lamentou alguns comentários, como se ele tratasse com leviandade o que ela tinha de melhor pra oferecer.
sentiu uma mágoa diminuta porque já sentia demais.
conversou com Deus e confiava que foi segundo a vontade dEle, e isso lhe dava paz.
não chorou, só pisava firme a cada passo.
e talvez não chorasse nunca mais.
se sentia ainda orgulhosa por ter enfrentado de maneira digna seus medos e fantasmas.
como zé, do chico buarque, chegou em casa e teve a sensação de ter ficado oca.
havia esgotado o assunto que mais lhe consumia e isso era renovador.
e era como se a vida recomeçasse e ela se sentia cheia de vontade de viver.
até porque o amor que ela lhe dedicava era dela, e isso não mudaria nunca.

tinham olhos de curiosidade e reconhecimento e me deram muito amor.
amor que eu retribuí num instinto maternal aflorado.
eles são marmanjos criados e temos quase a mesma idade,
mas alguma coisa no sorriso escancarado, no olhar de carência eterna (típico de sorteirões) me faz ser a tia mais tia do universo:
levanto cedo pra colocar a mesa para o café da manhã, verifico se estão devidamente agasalhados,
mando colocarem os chinelos, fico dando beijos e abraços sem fim e eles nem se constrangem.
passeamos, conversamos (muito), nos acolhemos e desfrutamos dessa coisa bonita, esse interesse genuíno, esse amor de sangue.
gabriel me deu flores: encheu meu quarto de gérberas.
leonel me fez um bolo: de chocolate, me favorito!
é indiscritível a sensação de ter a família por perto. uma sensação de pertencer, de segurança...
espero que venham mais vezes porque titia morre de saudade!

p.s.: vou postar mais fotinhos!


terça-feira, junho 09, 2009

neruda, que sempre cai bem!

" ya no se encantaram mis ojos em tu ojos.
ya no se endulzara junto a ti mi dolor
pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
y hacia donde camines llevarás mi dolor
fui tuyo, fueste mia. que más? juntos hicimos
un recodo en la ruta donde el amor paso
fui tuyo, fuiste mia. tu serás del que te ame.
del que corte en tu hearto lo que hae sembrado yo
yo me voy. estoy triste. pero siempre estoy triste.
vengo desde tus brazos. no se hacia donde voy.
... desde tu corazon me dice adios un niño
y yo le digo adios"



pablo neruda

ela brasileira, ele francês, se conheceram no caribe.
os dias passaram voando e eles aproveitaram cada segundo.
eles criaram uma língua própria, o amor aflorou, e continuaram juntos apesar da distância.
foram dois anos entre paris e são paulo, ela fiel e apaixonada. hoje ele disse que está confuso, inclusive sobre os sentimentos com relação à ela.
ela que é forte e divertida, chorou e se lamentou.
vai passar, sempre passa, mas até eu que era só expectadora lamento pelo fim de uma história de amor bem bonitinha!

terça-feira, junho 02, 2009

eu sei e você sabe...

eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
que nada nesse mundo levará você de mim
eu sei e você sabe que a distância não existe
que todo grande amor só é bem grande se for triste
por isso, meu amor, não tenha medo de sofrer
pois todos os caminhos me encaminham prá você
assim como o oceano só é belo com o luar
assim como a canção só tem razão se se cantar
assim como uma nuvem só acontece se chover
assim como o poeta só é grande se sofrer
assim como viver sem ter amor não é viver
não há você sem mim, eu não existo sem você


vinicius de moraes - que alegra meu coração!

quinta-feira, maio 28, 2009

telefônica é do capeta!

o que dizer sobre a telefônica?
que é a empresa com mais reclamações no procon? é pouco.
numa perspectiva mais pessoal é a empresa que mais desrespeita o consumidor brasileiro.
você NUNCA consegue resolver qualquer tipo de problema sem chegar ao nível máximo de estresse.
não tem como não sentir vontade de gritar e falar palavrões nos 30 minutos em que você fica repetindo sua história para mais de 5 pessoas.
se você pensa em se ligar a essa empresa saiba que esse pode ser um pacto insolúvel, logo que é muito, mas muito difícil se desfazer dele.