o que se passa????
saí feliz e contente hoje, de melissa e batom vermelhos.
fui ao diquinta, uma casa de samba-rock charmosíssima, com lisiantos (aprendi o nome da flor com a terú, melhor amiga dos idos da faculdade), onde toca chico e outras preciosidades. encontrei algumas amigas que foram embora relativamente cedo. eu preferi ficar sozinha e dançar até doer o pé, até me sentir de alma lavada, e assim o fiz. o dia havia sido de muito trabalho e alguns sentimentos ruins, achei que sair pra dançar num lugar que eu gosto muito faria com que me sentisse viva.
estava com uma bolsinha de mão e umas tantas minhas coisas cairam no chão porque a bendita abriu e eu estava balançando as mãos no balanço do jorge ben.
na hora de pagar a comanda tchan tchan tchan: perdi meu dinheiro!!!
eu não trabalho com cartões e nem os teria, caso os usasse, eu perdi minha carteira no dia 31 de dezembro!
fiquei meio desolada, comecei a chorar, comecei a procurar, com aquele sentimento de 'puta, de novo'. sem contar que bate aquela solidão situacional: 'não moça, eu tô sozinha aqui. aliás, eu sou sozinha aqui. não, meus pais não moram aqui. não, não, namorado eu também não tenho. nem bicho de estimação eu tenho moça!!!'
a gerente da casa foi super humana (eu acredito na bondade de desconhecidos) e entendeu a situação (ponto pro diquinta), mas que saco!
eu sempre fui cuidadosa e não me enquadrava no tipo que perde coisas por aí, mas alguma coisa mudou. minha personalidade? agora tenho traço típico dos que perdem carteiras, dinheiro e documentos? é a lei da vida? estou perdendo coisas para que alguém pare de perdê-las?
ainda bem que a endorfina da dança não foi amenizada pelo estresse da perda. ainda bem.
quinta-feira, janeiro 15, 2009
terça-feira, janeiro 13, 2009
essa madrugada o sono me fugiu. insone, tive a brilhante idéia de imitar o marcelo rubens paiva: pensar em um amigo e fazer um vídeo mental dos melhores momentos com aquela pessoa.
a pessoa escolhida foi a fran, amiga querida que hoje mora em londres.
a idéia funcionou melhor do que o imaginado, mas não para o sono aparecer: foram dois minutos e as imagens coladas na minha cabeça me emocionaram. senti uma saudade angustiante por lembrar de tanta coisa bonita, difícil e bacana que passamos juntas.
lembrei da risada dela e da maneira como secava as lágrimas e soluçava me dizendo de quem sentia falta. lembrei com muita saudade da sua voz falando 'amigaaaaa'. lembrei de um terraço em moema, de uma sacada na brigadeiro, de uma banca na paulista, onde tantas vezes abrimos o coração e trocamos confidências. lembrei dela pulando de uma escada pra me salvar de uma namorada ciumenta. lembrei do seu cabelo liso, do seu cabelo crexpo. lembrei da gente doidinha pra fazer coisa errada num sábado lá na benedito calixto. e como quem procura acha... lembrei de uma ressaca no aeroporto e de uma ligação em uma manhã de dezembro. lembrei de um porre homérico e dela tentando me convencer a não ligar pra quem não devia. lembrei de 20,00 reais e de um alex curitibano. lembrei das viagens sobre Deus, deuses, vida, profissão, futuro, filhos, homens, sexo, mães, irmãs, amizades, passado, namorados, pretendentes. lembrei de mim apaixonada e dela tentando me colocar no eixo. lembrei dela, impulsiva, falando com quem não devia, na hora em que não podia. lembrei da gente brigando com os namorados e rindo deles. lembrei da gente ganhando rosa como pedido de desculpa dos namorados arrependidos. lembrei que a gente terminou o namoro no mesmo dia e aí... e aí a gente queria que o mundo acabasse numa pista de dança, numa roda de samba, numa mesa de bar. lembrei de um carnaval atrasado e de uma puta confusão. lembrei de mim morrendo de ciúmes. lembrei de um dia de febre em que ela chegou. lembrei que um dia eu a magoei e ela me perdoou. lembrei dos últimos 10 reais compartilhados. lembrei do olhar de cumplicidade. lembrei dos gatinhos de verde e de azul. lembrei de pão-de-queijo, guaraná e bis branco. lembrei de um vestido florido, de uma alegria contagiante, de uma cumplicidade ímpar.
e lembrando de tudo isso meu coração ficou pequeno e eu chorei. chorei até dormir.
quinta-feira, janeiro 08, 2009
um dia eu tive a seguinte pauta:
'a atriz reese witherspoon vem ao brasil lançar uma campanha da avon contra a violência doméstica.'
gostei do tema pelo social. mas sabia que seria um sufoco pela presença da hollywoodiana que eu nem ao menos sabia citar o nome.
só chegando ao local do lançamento da campanha é que encontro a verdadeira estrela do evento, ao menos pra mim: maria da penha, a mulher que virou lei.
li muito sobre ela quando a lei foi lançada. li muito sobre ela quando a lei trouxe resultados palpáveis. ela sempre foi queridinha no meu coração.
ela deu uma entrevista muito bacana em uma das minhas revistas preferidas, a tpm. maria da penha ficou sem andar, depois de levar um tiro do marido. em um momento a repórter pergunta do que sente mais saudades da época em que andava. 'tenho saudades do forró. adorava dançar. também tenho saudades das ondas “lambendo” as pernas quando elas recuavam para o mar. lembro da areia saindo de baixo dos pés', ela disse, me levando às lagrimas.
ela é uma guerreira, porque reuniu de uma tragédia a força necessária para lutar. quando parecia o fim ela fez um novo começo e mudou o Brasil.
a entrevista completa neste link. vale muito a pena.
http://revistatpm.uol.com.br/82/vermelhas/home.htm
terça-feira, janeiro 06, 2009
seu zé!
seu zé era um senhor de 80 e poucos anos, vizinho de meus pais. nasceu na frança, cresceu no egito, passou a adolescência em londres e veio ao brasil já adulto, não sei ao certo porquê. lembro dele como o vizinho adorável dos meus pais. ele era alto, magro e com os cabelos todos brancos. muito simpático e educado, seu zé era um gentleman de verdade. eu estudei inglês e discuti a bíblia com ele, o que me fez muito bem. nós discordávamos de alguns pontos teológicos, mas sempre mantivemos o respeito e admiração mútuos. quando eu voltei a são paulo nós continuamos a debater o assunto por carta. ele era um homem extremamente culto e a estante de livros dele era enorme. enorme como o coração bondoso dele. seu zé morava sozinho e eu nunca vi um filho lá. uma visita. mas eu sei que ele os tinha. hoje minha mãe me ligou pra dizer que seu zé morreu de dor. ele tinha uma dor constante na perna. quando levado ao médico perceberam que ele estava com o fêmur quebrado. o médico foi mexer e a dor foi tanta que o coração dele não aguentou. eu não entendo o desamor. sei que deve haver motivos, mas eu não os compreendo!
quarta-feira, dezembro 31, 2008
perdi minha carteira no último dia do ano!
foram embora 70 reais, vale-refeição, vale-transporte (os dois abastecidos pro mês), identidade (que estampava uma foto da versão giselle aos 13 anos), cpf, título de eleitor, cartão de banco (todos de santa catarina), além da carteira nova da betty boop nova que eu adorava!
sem lenço e sem documento me pus a chorar copiosamente.
um ser (nem sei se humano), passa por mim, ouve a história que repetia à uma amiga e pergunta:
tchan tchan tchan
como você conseguiu perder isso????
ah, ele nem imagina o quanto eu me esforcei!!!
terça-feira, dezembro 30, 2008
sexta-feira, dezembro 26, 2008
ya no se encantarán mis ojos en tus ojos,
ya no se endulzará junto a ti mi dolor.
pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
y hacia donde camines llevarás mi dolor.
fui tuyo, fuiste mía. Qué más? Juntos hicimos
un recodo en la ruta donde el amor pasó.
fui tuyo, fuiste mía. Tu serás del que te ame,
del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo.
yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.
vengo desde tus brazos. No sé hacia dónde voy....
desde tu corazón me dice adiós un niño.
y yo le digo adiós.
pablo neruda
quinta-feira, dezembro 18, 2008
vida na madrugada - primeiras impressões
karine afirma que é maior de idade, embora não pareça. são 2 horas da manhã e eu a encontro nas imediações da praça da república. ela tem olhos grandes mas apagados pelos 4 anos queimados nos cachimbos de crack. percebo que ela se sente desconfortável com a presença de marcelo, o motorista que faz a vez de meu segurança e peço para ele se distanciar um pouco.
ela fala que pode largar a droga quando quiser, ‘mas o difícil é ver seus amigos fumando, né?!’. está apaixonada e eu pergunto se isso é bom: ‘bom e ruim, não sei se ele gosta de mim’. pra ela eu tenho cara de repórter, mas seus amigos podem achar que sou policial a paisana. ´você prefere que eu me afaste´?, pergunto a ela. ‘tanto faz’, ela responde, reflexo de uma postura que leva em outros aspectos da vida.
as vezes ela demora a responder as perguntas e parece que entra num estado de inconsciência.
ela dorme sempre na praça, mas quando chove, simplesmente não dorme. com a ponta dos dedos queimados ela traga um cigarro que já havia sido fumado por outra pessoa.
ela aceita contar sua história na frente das câmeras, mas não titubeia em dizer que posso ser roubada.
percebo a agitação dos seus companheiros que observam curiosos do outro lado da calçada. segunda-feira às 10 horas da noite. temos um próximo encontro, eu espero.
adriana é loira, falante e gosta de ser garota de programa. diz ter sido capa da playboy, ‘mas a playboy lá de alagoas, não a daqui’. agora já não se acha mais bonita, e afirma que sabe ‘fazer direitinho’.
tem um filho de 13 anos e não esconde dele a profissão.
‘da vida’ como diz, há 16 anos e sente prazer só às vezes.
aceita filmar sua história, mas quer receber pelo menos 200 reais e beber umas vodkas antes.
tem medo de parecer gorda no vídeo e se orgulha do cabelo, ‘que é meu mesmo’, como diz.
dentro da casa onde faz ponto me apresenta lúcia, a gerente do lugar: ‘você quer me arrumar confusão trazendo repórter cá pra dentro, né?!’. aos poucos conquisto a confiança da mulher que não parece uma cafetina e sim um cafetão. ela tem esperança no projeto do gabeira, que quer regularizar a prostituição.
perto do bar um senhor idoso, de aparência nada agradável, que recebe elogios de uma garota com, no máximo, 19 anos. ele fica garboso e começa a tocar sua barriga a mostra. a cena um pouco grotesca me chama a atenção, mas evito tirar os olhos por muito tempo de lúcia, que a essa altura reclama do kassab.
ela trabalha na noite há 25 anos e gosta: ‘é um trabalho como outro qualquer’. me explica algumas coisas da vida das meninas e já não tem mais a postura hostil. quando deixo o lugar ela pede ao motorista-segurança que cuide bem de mim.
ainda nas imediações da dua augusta entro numa casa noturna e vejo um monte de garotas que desfilam de seios de fora. eu coberta até o pescoço me sinto destoar do ambiente cheio de todo o tipo de homem. dou uma volta completa no lugar e não consigo contato com nenhuma menina. fico observando um pouco, consciente que meu tempo dentro da casa, sem pagar, está se acabando. quase na porta escuto ‘que sorriso bonito’... me sinto desconfortável, mas relevo... são ossos do ofício.
antes de ir embora visito outra casa de prostituição. o lugar tem um cheiro desagradável e as meninas têm um perfil bem diferente. a que dança no palco tem mais de 40 anos e uma cicatriz no baixo ventre.
cinco reais com direito a uma cerveja é o preço para estar naquele lugar que parece um banheiro grande.
‘a noite está movimentada’comenta verônica, mesmo com 4 possíveis clientes disputados por 6 mulheres que precisam fazer a noite render. verônica é a única realmente bonita. um rosto marcante de bochechas salientes, boca desenhada, nariz pequeno.
trabalha como garota de programa há um mês: ‘a situação ficou difícil’. eu a achei tímida no começo, mas depois acho que é a tristeza que a deixa séria.
‘você é repórter’, pergunta ela, dizendo que eu tenho cara de repórter.
os possíveis clientes saem, fico eu, marcelo, que estava um pouco constrangido com a situação, e as garotas.
vou até o outro lado do salão, onde kátia que dançava quando cheguei, está sentada. é garota de programa por falta de opção. tem uma filha de 18 anos de quem esconde a profissão. ‘ela vai ser alguma coisa da vida, eu pago estudo pra ela’. nossa conversa é interrompida, o homem que estava na porta na hora da entrada chama kátia pra conversar. provavelmente adverti-la sobre a conversa comigo. eu acho melhor ir embora.
as cenas da noite roubaram meu sono. mas pela primeira vez eu me sinto uma repórter de verdade.



