meu tempo não tem lógica,
meus dias não tem horas.
minha vida segue sem rotina, sem destino, sem caminho,
sigo quase que em desatino,
nesse oscilar de sentimentos,
ao qual chamo de tempo.
mas é só meu esse tempo,
e por isso sigo solitária.
em certas voltas, até partilho o caminho,
mas nunca dou a mão.
esse tempo solitário que nunca é só,
sempre cheio de incertezas e medos,
esse tempo cheio de dúvida!
sexta-feira, outubro 24, 2008
meu tempo.
terça-feira, outubro 21, 2008
?
o que está havendo?
por que eu estou fugindo?
o que está acontecendo?
para onde estou partindo?
do que eu tenho medo?
eu já não sei mais nada,
não faço nada direito,
já não sei nem o que sinto.
as vezes eu acredito,
eu acho que não dá.
mas eu queria tanto,
por que eu não consigo.
será que eu tenho chance?
me ajuda nesse caminho?
segunda-feira, outubro 13, 2008
2.5
tomara que os 25 anos sejam bons como os últimos instantes dos 24. é, tô com 25! tudo bem, eu acostumo!
sábado, outubro 04, 2008
ser macho.
já passara aproveitando a pseudo falta de espaço, e ainda precisou se expressar: 'puta mina gostosa'. ela levantou a cabeça e olhou com força dentro do olho do palhaço caipirinha. 'qual é?! ficou maluco?'. ele seguiu cabisbaixo até sua mesa.
quinta-feira, outubro 02, 2008
des-culpa-des!
desculpa,
desfaz a culpa,
essa minha culpa,
mea culpa,
culpa,
desculpa?
culpa dói,
nao é tua culpa
mas desculpa,
que essa culpa me corrói.
desculpa e apaga,
apaga a culpa,
eu pago a culpa,
desculpa?
terça-feira, setembro 30, 2008
que coisa, hein?!
a pergunta não é por que eu não consigo acordar antes das onze. a pergunta é por que não consigo dormir antes das duas. colecionar saudade é difícil, é preciso dar muito tchau pela estrada. as minhas paixões são sempre estranhas, as minhas manias mais ainda. 'saudade é um dos sentimentos mais urgentes que existem.' .clarice lispector.
o lauro.
o lauro veio do japão por causa da mulher. dois meses no brasil e eles se separaram. ele nunca a traiu, mas se arrepende. ela traiu ele. ele sorri com jeito japonês. já faz três anos. ele já teve outras seis namoradas. ele tenta a vida na augusta, como taxisista. ela vai pro japão mês que vem.
segunda-feira, setembro 29, 2008
a H, o R e o amor!
na contramão de todos os desencontros românticos e relacionamentos medíocres que acontecem ao meu redor, tem um casal que me faz acreditar no amor.
os dois vivem o teatro e desfrutam uma sintonia linda de se ver.
eles são jovens, passionais, livres e extremamente comprometidos:
não só um com o outro, mas com algo mais profundo que eu nem me atreveria descrever.
ele me mandou hoje uma poesia chamada 'nós', que ele escreveu sobre eles.
eu vou colar aqui, porque me comoveu e é bonito demais pra guardar só pra mim:
(em nenhum momento este post têm co-relação com o anterior...)
NÓS
você é perfume e é música,
eu, coitado, sou poesia.
você tem o dom do que exala,
do que exalta, que preenche,
refestela.
eu sou este alinhar as linhas,
condensar a coisa toda,
ser oblíquo.
o cheiro e a melodia
são ambos inescapáveis:
somos todos só sentidos
estando diante deles.
mas o caso da poesia
é sempre pedir parada,
é sempre pedir palavra,
é sempre pedir silêncio.
versos todos alinhados
em retas riscas exatas
esperam deciframento.
a música (e o perfume)
são o desfraldamento
de algo que ali se abriga.
eles tem (e você)
a coisa de dominante
de tomar a atmosfera;
não são tomados da espera
congelada das palavras
(das palavras da poesia)
detalhes e monumentos.
momentos e eternidades.
você é perfume e é música,
eu, precário, sou poesia.
por isso eu prefiro você,
prefiro o cheiro,
a melodia,
o grito.
a inveja e eu.
eu não gosto de sentir inveja.
e não é porque é feio, porque é uma transgressão a um mandamento.
é porque é bem ruim mesmo. e faz um mal danado.
quando eu sinto inveja, é como se ficasse cega.
não consigo olhar para as coisas que sou ou tenho,
fico única e exclusivamente focada naquilo que não tenho.
e pior: chego a achar que a vida é injusta comigo.
e eu sei que não é assim que a banda toca.
sei que Deus ajuda quem cedo madruga,
que é preciso força e coragem,
e que sucesso é alcançado depois de muito esforço.
e que sim, as coisas poderiam ser melhores,
mas poderiam ser infinitamente piores.
e eu, não quero mais sentir inveja.
ou pelo menos quero controlá-la o mais cedo possível.
quarta-feira, setembro 24, 2008
minha menininha.
maria helena minha menina, minha menina pequenina, como eu queria te por numa caixinha, como gostaria que fosses assim pra sempre.
assim como bonequinha, entretida em teus luxos e modinhas.
exatamente assim, com essa carinha de mocinha séria, e jeitinho de donzela.
ainda não falas todas as letras, mas faz-se entender muito bem se elas.
às vezes solta, ri com vontade... na mesma intensidade que chora, quando algo não foi exatamente do jeito que querias.
ah minha querida, pra minha felicidade continue assim, com essa carinha de sonho bom, correndo atrás do gatinho, e estranhando a areia da praia na mão.
continue, querida, a gostar dos banhos no tanque e de pares de chinelo (sim você não pode ver um par de chinelos que já os calça, se cabem ou não é o que menos te importa).
linda como uma flor, és vaidosa.
adora os enfeites de cabelo, sandálias com lacinhos, e os vestidos novos, e pousas faceira passando a mão na barriga quando dizem ‘olha como ela está bonita’.
és tão carinhosa e meiga, e ao mesmo tempo tão independente.
tua alegria está em ti mesma, nesse mundo que é só teu e onde és bem feliz.
pareces uma moça quando sentada no banco da cozinha da vovó, balançando contente essas pernas iguais as minhas.
ah querida, quem me dera que ficasses assim pra sempre, nesse tamanho de felicidade, nessa medida de inocência.
mas os anos vão passar, e quem sabe quando leias esta carta, já tenha te dado conta disso, como me dou agora ao olhar pra ti.
vais crescer e fazer da tua vida aquilo que quiseres.
não imagino no que vais te tornar, mas desejo que tu te tornes minha e tua amiga. minha, porque te amo, porque és a maria helena do meu coração, porque és pra sempre minha menininha.
e amiga tua, desejo que sejas, pra que saibas lidar com paciência com teus próprios erros, pra que se sinta feliz em tua própria companhia e pra que te conheças, já que essa é hoje a tarefa que eu considero mais difícil.
a querida, desejo também que aprendas que na vida, é importante cultivar a sensibilidade, pra que vejas a beleza desse mundo, pra que sintas pelo outro, pra que vivas intensamente.
e desejo que tu leves pra sempre a certeza de que podes tudo aquilo que de coração desejares.
com amor,
tia giselle
são Paulo, 14 de março de 2007
